Do passado ao presente: como o ladrilho hidráulico transforma ambientes

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Nas propostas da Rawi Arquitetura, esse material, que faz parte da história da arquitetura brasileira, compõem piso, bancada e parede com charme

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Com atmosfera industrial e toques de concreto aparente, a cozinha deste apartamento recebeu ladrilhos hidráulicos verdes, em contraste à marcenaria num tom amadeirado e verde-clarinho | Projeto Rawi Arquitetura | Foto: Juliana Deeke

Se existe um revestimento capaz de atravessar gerações sem perder o charme é o ladrilho hidráulico. Presente em casas antigas, edifícios históricos e memórias afetivas, esse material voltou a ocupar lugar de destaque na arquitetura, mas agora em projetos contemporâneos que valorizam personalidade e identidade visual.

Fã e conhecedor das características deste revestimento, o arquiteto Raphael Wittmann, à frente da Rawi Arquitetura, conta um pouco da história de como os ladrilhos chegaram ao Brasil e como podemos utilizá-los com criatividade, personalidade e bom gosto.

“O ladrilho hidráulico é um material que reverencia o passado e nos permite criar composições únicas hoje em dia, com um resultado visual muito expressivo que conecta tradição e inovação”, explica.

Afinal, o que é o ladrilho hidráulico?

Apesar de estar novamente em evidência nos projetos contemporâneos, o ladrilho hidráulico não é exatamente uma novidade. Criados no sul da Europa, ainda no século XIX, esse tipo de revestido veio de um modelo que dispensava a queima em forno. Pouco tempo depois, os ladrilhos se espalharam por diferentes regiões do continente e chegaram a países tão distantes, como a Rússia. Pouco a pouco também foi ocupando seu lugar de sucesso no Brasil, especialmente, nas décadas de 30 e 40.

“Ele virou uma presença marcante nas casas e edifícios públicos, compondo pisos com padrões geométricos e florais que até hoje fazem parte da memória de muitas famílias”, lembra Raphael.

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Nesse studio em São Paulo, o arquiteto Raphael Wittmann destacou um revestimento azul marcante combinando com a marcenaria inteligente e detalhes que dão personalidade ao espaço | Projeto Rawi Arquitetura | Foto: Rafael Renzo

Mas para o arquiteto, o que o diferencia mesmo dos demais revestimentos é a característica artesanal, onde se produz unidade por unidade. Isso porque são peças feitas de  cimento, quartzo e pó de pedra e pigmentos naturais que moldam a estética única que cada uma carrega.

Benefícios

Com esse histórico, o ladrilho hidráulico segue atual porque reúne características que atendem tanto às necessidades funcionais quanto às expectativas estéticas dos projetos, seja esse clássico, rústico, retrô ou contemporâneo. Para o arquiteto Raphael Wittmann, uma das maiores vantagens é a durabilidade, pois quando mantido corretamente, o material pode permanecer perfeito por décadas e, caso apresente desgaste, ainda pode ser restaurado ao seu aspecto original.

Outro ponto alto está na liberdade criativa e na autenticidade ao poder usufruir dos inúmeros desenhos, da mistura de texturas, cores e, dessa forma, deixar os projetos ainda mais irreverentes e personalizados. “Além de resistente, o ladrilho hidráulico permite criar composições muito autorais, com desenhos que podem ser discretos ou bastante marcantes, dependendo da proposta do projeto”, destaca.

A versatilidade também merece uma atenção já que o ladrilho hidráulico pode ser utilizado em diferentes ambientes do lar, como salas, quartos, cozinhas e banheiros, áreas externas cobertas, além de diferentes ambientes, como quartos, salas, banheiros e cozinhas.

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A cozinha integrada virou a atração da área social ao receber os ladrilhos hidráulicos na cor mostarda e desenhados pelo escritório Rawi Arquitetura, exclusivamente para o projeto. Os revestimentos cobrem o piso e sobem até a bancada | Fotos: Juliana Deeke

Melhores aplicações

Dos pisos que lembram antigos tapetes estampados às paredes que se transformam em ponto focal do ambiente, o ladrilho hidráulico encontrou novas formas de aparecer nos projetos atuais. Na cozinha, por exemplo, o ladrilho pode ser aplicado no piso ou subir pelas paredes até a altura da bancada, criando continuidade visual e destacando a área de preparo.

Já em banheiros, ele aparece tanto no piso quanto em nichos e paredes, contribuindo para uma atmosfera acolhedora e cheia de personalidade. Em halls de entrada e áreas de transição, também funciona muito bem como elemento de destaque, criando uma espécie de ‘tapete’ visual logo na chegada.

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Neste imóvel, no Edifício Itália, no coração de São Paulo, cozinha e lavabos são monocromáticos, vibrantes e receberam ladrilhos hidráulicos com rejuntes imperceptíveis | Projeto Rawi Arquitetura | Fotos: Alexandre Disaro

Para o arquiteto Raphael Wittmann, o segredo está em entender o papel do ladrilho dentro da composição geral do ambiente. “Temos que aproveitar o que ele tem de melhor, além da beleza, é perfeito para criar contrastes que reforçam a simetria do projeto”, diz.

Outro fator determinante para um resultado harmonioso é a escolha dos materiais que irão dialogar com o ladrilho. O arquiteto ressalta que combinações com madeira costumam trazer aconchego e equilibrar a intensidade visual dos desenhos. Já o concreto aparente e os acabamentos cimentícios reforçam uma estética contemporânea e urbana, enquanto marcenarias em tons neutros ajudam a destacar ainda mais os padrões do revestimento.

Cuidados na instalação e manutenção

Aqui, o processo começa com o uso de argamassa ACIII branca aplicada com desempenadeira dentada, que garante aderência adequada às peças. A distribuição uniforme da argamassa, principalmente, nas bordas, é fundamental para evitar rachaduras e garantir estabilidade ao revestimento. Por se tratar de um material poroso, a atenção durante a instalação deve ser redobrada, pois qualquer sujeira ou resíduo pode penetrar na superfície e comprometer o acabamento.

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Com materiais simples, mas de grande efeito, este banheiro reformado pela Rawi Arquitetura se destacou com o uso de ladrilhos hidráulicos amarelos no piso | Foto: Juliana Deeke

Após o assentamento, a aplicação de resina protetora é uma etapa importante para preservar o material contra manchas e facilitar a limpeza cotidiana. Em alguns casos, essa proteção pode ser feita antes do rejuntamento, como forma de evitar que resíduos comprometam a superfície. Depois da aplicação do rejunte, recomenda-se aguardar aproximadamente uma semana para que o ladrilho esteja completamente seco antes da aplicação final da resina.

No dia a dia, a manutenção também exige atenção, mas a recomendação é simples: água e sabão neutro costumam ser suficientes, e, em muitos casos, um pano úmido resolve a maior parte das necessidades. O principal erro cometido pelas pessoas é o uso de produtos químicos para a limpeza das peças, o que pode danificá-las, em razão de sua composição, mas também é bom evitar arrastar móveis diretamente sobre o piso e usar feltros protetores nos pés de mesas e cadeiras também são cuidados importantes para preservar o revestimento.