Para além da estética, arquitetura sensorial e funcional assume protagonismo no design de bares e restaurantes
Nos últimos anos, comer fora deixou de ser apenas uma questão de paladar. Em um movimento cada vez mais visível nos grandes centros urbanos, os bares e restaurantes passaram a investir pesado em projetos arquitetônicos que vão além da estética: hoje, a experiência começa antes mesmo do cliente provar o primeiro prato. “O ambiente virou protagonista”, afirma o arquiteto Givago Ferentz, conhecido por assinar projetos autorais e imersivos no setor de gastronomia. “Desde a pandemia, percebemos uma mudança de comportamento. As pessoas passaram a valorizar mais o tempo, os momentos de lazer, e isso exigiu que os estabelecimentos se reinventassem. Não basta mais ter um bom cardápio, o espaço precisa cativar, acolher e surpreender.”
Essa “arquitetura da experiência”, como ele define, combina conforto, estímulo visual e soluções práticas. Um exemplo? Cadeiras revestidas com lã de carneiro para o inverno curitibano, lareiras ecológicas e ambientações que rendem boas fotos nas redes sociais — mas que não abrem mão do conforto térmico e da ergonomia. “É o instagramável com propósito. A estética precisa estar a serviço do bem-estar”, pontua Givago. Outro detalhe que se tornou tendência são os espaços funcionais para públicos específicos, como famílias com crianças e tutores de pets. “Hoje, um restaurante que quer se destacar precisa ir além do giz de cera. Estamos falando de brinquedotecas integradas, seguras e lúdicas, pensadas com o mesmo cuidado do salão principal”, explica o arquiteto. “E o mesmo vale para os pets: comedouros, áreas delimitadas e até pequenas amenidades gastronômicas fazem parte desse novo conceito de acolhimento.”
Na contramão da ideia de que ambientes “instagramáveis” são apenas cenográficos, Givago defende que arquitetura e gastronomia devem dialogar de forma autêntica. “Projetar um restaurante é entender o ritmo do serviço, o fluxo de pessoas, o clima da cidade e a identidade da marca. Tudo isso se traduz em escolhas arquitetônicas, desde os materiais até a iluminação”, explica.
Curitiba tem sido um laboratório privilegiado para essas experiências. A cidade, com seu clima peculiar e um público exigente, reúne exemplos emblemáticos dessa nova geração de espaços gastronômicos que misturam design, funcionalidade e emoção. “A arquitetura deixou de ser pano de fundo e passou a ser parte essencial da memória afetiva que o cliente leva dali”, conclui Givago.
Afinal, se o sabor conquista pelo paladar, o ambiente — agora mais do que nunca — seduz pelos sentidos.











