Desenvolvido pelo Land5, de Tubarão (SC), o Centro Cultural Indígena Pinhalzinho une saberes e lazer
O Land5, escritório de Arquitetura e Urbanismo de Tubarão (SC), desenvolveu o projeto executivo do Centro Cultural Guarani e Kaingang a ser implantado na Aldeia Indígena Pinhalzinho, em Planalto, no Rio Grande do Sul. Localizada em uma área de 34 hectares de Mata Atlântica, na comunidade vivem os Guarani Ñandeva. Com grande valor simbólico, espiritual e ambiental, a iniciativa busca preservar a cultura local, profundamente conectada à espiritualidade e ao meio ambiente. Segundo as orientações do projeto básico apresentado pela prefeitura de Pinhalzinho no edital que licitou a proposta, o complexo tem como objetivo promover e divulgar o turismo no município, tornando o local um espaço para cultura e lazer, voltado às atividades indígenas e à comunidade em geral.
Com uma abordagem interdisciplinar que articula patrimônio cultural indígena, desenho de paisagem e soluções arquitetônicas contemporâneas ao objetivo de qualificar espaços públicos com foco em sustentabilidade, funcionalidade e integração territorial, o projeto do Land5 busca facilitar o acesso da população ao complexo, que tem em seu entorno uma escola e um posto de saúde. “Construímos um espaço de convívio coletivo que valoriza a cultura indígena e fortalece sua identidade, reunindo áreas de lazer, educação, cultivo e contemplação, conectadas por caminhos repletos de significados”, comenta a arquiteta e urbanista Michelle Benedet, do Land5. A Aldeia Indígena está inserida no perímetro rural, na ERS 324, ligando Planalto ao Trevo de São José (Nonoai, RS). No local existem cinco edificações (ocas) a serem recuperadas e integradas ao Centro Cultural, em área total de 7.600m². As áreas de edificação correspondem a aproximadamente 667,44m².
O projeto executivo consiste no desenvolvimento do detalhamento do projeto em nível suficiente para a sua posterior execução, atendendo a todas as normas técnicas e às exigências necessárias à aprovação nos órgãos competentes, quando for o caso. Já o projeto executivo do Land5 tem entre os principais ambientes projetados as ocas temáticas. “São cinco ocas, duas maiores e três menores Entre as ocas de maior dimensão, uma será voltada a apresentações culturais e experiências gastronômicas e outra terá foco em práticas de artesanato e exposição e vendas de produtos. Os espaços interiores foram desenhados reforçando seu papel comunitário e também como uma forma de geração de renda para as aldeias”, explica Benedet.
O conjunto ainda inclui um totem de identificação e acessos planejados, que marcam simbolicamente a entrada da aldeia, além de quadra poliesportiva, parquinho infantil, áreas de estar e jardins medicinais, elementos que promovem bem-estar, socialização e reconexão com os conhecimentos tradicionais.

Vegetação sagrada
Um dos pontos centrais do projeto é o uso da vegetação sagrada e simbólica das culturas Guarani e Kaingang. O memorial descritivo do projeto revela as espécies que foram escolhidas por seus significados rituais e medicinais. O ipê, por exemplo, remete à caça e à defesa do território; o jerivá é visto como guardião dos caminhos; o angico, utilizado no fogo ritual, tem propriedades fortalecedoras; a embaúba integra altares e rituais; o aguaí compõe colares protetores e funciona como repelente natural; o bambu cria barreiras acústicas junto à rodovia, garantindo privacidade ao espaço sagrado; e o urucuzeiro, de copa densa, fornece corante corporal e usos medicinais. A intenção é promover a interação com escolas, visitantes e instituições. “Os caminhos que conectam os espaços, das ocas à praça, dos jardins aos espaços de uso comunitário, são intencionais, simbólicos e pedagógicos e propõem uma experiência imersiva. Os deslocamentos internos tornam-se parte da experiência e aprendizagem, reforçando o sentido de pertencimento ao território”, destaca a arquiteta.
Expertise e soluções técnicas são destaques no projeto
A complexidade do projeto exigiu do Land5 um conjunto robusto de entregas técnicas, com soluções integradas de arquitetura, engenharia e paisagismo:
- Projeto Arquitetônico e Urbanístico: desenvolvimento de espaços de estar, contemplação, acessibilidade, segurança e valorização do turismo cultural. Inclui escultura das etnias, espaço cívico, pórtico de acesso, ponto de água para chimarrão, bancos, mesas e mobiliário urbano adequado às atividades.
- Reforma das cinco ocas existentes: as edificações serão restauradas com respeito à identidade original e recebem novos usos, como ambiente para apresentações culturais, práticas educativas e experiências gastronômicas.
- Projeto Estrutural (concreto armado e estruturas metálicas) e Projeto de Fundações, atendendo às normas técnicas para durabilidade e segurança.
- Projetos Hidrossanitários e de Drenagem: com atenção às condições ambientais locais e sistemas de baixo impacto.
- Caminhos em bloquete de concreto e pavimentação em pedras irregulares: garantindo acessibilidade, durabilidade e integração visual com o entorno.
- Projeto Paisagístico: plantio de árvores e forrações de valor simbólico, como jerivá, ipê, angico, urucuzeiro, aguaí e bambu. A vegetação reforça o sentido espiritual e ancestral da terra, além de atuar como elemento de conforto ambiental.
- Projeto Elétrico e de Iluminação, incluindo o Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e infraestrutura elétrica conforme a NBR 9050 e legislações vigentes.
- Sistema de combate a incêndio, sinalizações e saídas de emergência conforme exigências do Corpo de Bombeiros do RS.
- Projeto de Terraplenagem e Conformação de Níveis, com atendimento às regras ambientais para licenciamento.
- Memoriais técnicos e orçamentação: memorial descritivo, memorial de cálculo, orçamento detalhado da obra e cronograma físico-financeiro.
Todos os itens foram desenvolvidos de forma integrada, buscando minimizar impactos ambientais, otimizar recursos locais e valorizar o conhecimento tradicional, garantindo eficiência, durabilidade e identidade.











