Tendência de iluminação integrativa aplica os conceitos de neurociência, arquitetura e design
Acender uma lâmpada pode parecer um gesto puramente funcional, mas, para o cérebro, a luz carrega diversas informações. Antes mesmo de racionalizarmos aquilo que vemos, assim que entramos num ambiente, as sensações já são percebidas, e a iluminação tem participação importante nessa experiência. Intensidade, temperatura de cor, horário e tempo de exposição são captados pelo organismo. Esses estímulos ajudam a regular desde o estado de alerta até a preparação para o descanso.
É a partir da relação entre luz, cérebro, corpo e comportamento que conceitos como o neurolighting, também conhecido como iluminação integrativa, propõem uma nova maneira de pensar os projetos luminotécnicos. A abordagem reúne conhecimentos da neurociência, da arquitetura e da iluminação para planejar ambientes internos e externos considerando não apenas aspectos estéticos e funcionais, mas também fatores relacionados ao bem-estar, às emoções e ao desempenho de quem ocupa esses espaços.
Durante a palestra “Estratégias de iluminação para ambientes mais saudáveis”, realizada na 17ª edição da ABCASA Fair, que ocorreu na última semana, em São Paulo, a lighting designer e mestre em Arquitetura e Urbanismo Patricia Fernandes destacou que a percepção da luz também é individual e pode se modificar ao longo da vida. A idade, por exemplo, interfere na maneira como enxergamos e percebemos luz, sombra e contrastes, o que reforça a importância de considerar quem utilizará determinado espaço na elaboração do projeto.
Outro elemento central é o ciclo circadiano, o relógio biológico de aproximadamente 24 horas que participa da regulação de diferentes funções do organismo, entre elas o ciclo de sono e vigília. Assim como a iluminação natural se transforma da manhã à noite, diferentes momentos da rotina podem demandar estímulos luminosos distintos. A proposta, portanto, deixa para trás a ideia de que uma mesma configuração de luz precisa permanecer durante todo o dia.
“Hoje conseguimos acrescentar mais informações aos ambientes, criando, por exemplo, contornos de iluminação em uma porta ou em um degrau e fazendo o controle da luz, mesmo que seja manual. Não faz sentido termos a mesma iluminação durante todo o dia. Em um ambiente corporativo, por exemplo, no início do expediente a pessoa precisa estar disposta para trabalhar, enquanto, no final do dia, a iluminação pode começar a acompanhar o momento de desaceleração, preparando-a para encerrar a jornada e chegar em casa com menos impacto visual”, indica Patrícia.











