Cores que acolhem, libertam ou contam histórias: o que as tendências cromáticas revelam sobre o nosso jeito de viver

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Mais do que estética, as cores assumem papel emocional nos espaços, apontam especialistas da Dexco e Sherwin-Williams

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Ambiente de Paulo Azevedo para a mostra Viver Ambientes, na Casa Dexco, com paleta de cores calorosas e dinâmicas

Em um mundo marcado por transformações rápidas, reconexões emocionais e novas formas de viver e habitar, a cor deixou de ser apenas uma questão estética. Ela assume um papel central nos projetos de arquitetura, design e decoração, por seu poder de expressar valores, traduzir sensações, ativar memórias e provocar estados emocionais.

É o que indicam estudos divulgados em um encontro promovido recentemente pelo Design Hub, espaço dentro da Casa Dexco voltado para cocriação, pesquisa e experimentações, em parceria com a Sherwin-Williams, uma das principais referências globais em tintas e cores. “Projetar com cor vai muito além de combinar tons bonitos. É um exercício de escuta das necessidades humanas e de tradução visual de sentimentos”, afirma a head do Design Office da Dexco, Marcele Brunel.

A relevância da cor como ferramenta emocional e comportamental é reforçada por estudos recentes. Segundo pesquisa da Sherwin-Williams e Harris Poll, 62% dos americanos escolhem azul por associá-lo à calma, confiança e competência, enquanto 42% ligam o amarelo à felicidade e calor. Já a literatura científica mostra que até 90% das avaliações iniciais de produtos são baseadas exclusivamente na cor — como destaca o estudo de Palmer, Schloss & Sammartino, publicado na Annual Review of Psychology. Isso significa que quando uma pessoa vê um produto pela primeira vez, até 90% da sua impressão inicial pode ser determinada exclusivamente pela cor — antes de considerar forma, textura, marca ou função.

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Ambiente assinado por Débora Aguiar para a mostra Viver Ambientes, na Casa Dexco, com paleta de cores neutras e sutis

As tendências mais relevantes do momento revelam uma profunda sintonia com o que as pessoas desejam vivenciar em seus espaços – seja conforto, liberdade criativa, conexão com as raízes ou senso de comunidade. As cores, os materiais e os acabamentos acompanham esse movimento, criando atmosferas que acolhem, energizam, resgatam histórias ou promovem encontros. “As cores ‘encharcadas de dopamina’, por exemplo, aparecem como resposta à fadiga digital, ao passo que tons naturais nos conecta à terra e à introspecção”, explica a coordenadora de Marketing da Sherwin-Williams, Bia Luz.

A cor como experiência

As tendências também apontam para o papel da sensorialidade nos projetos. O novo design sensorial — que envolve cores, materiais, superfícies, aromas e texturas — foi apontado como tendência crescente em 2025 pela WGSN e pela Architectural Digest. A Casa Dexco e o DEXmood, ferramenta desenvolvida pela Dexco para identificar estilos e harmonizar soluções em um projeto de interiores, a partir de sensações e emoções, já trabalham com essa lógica.

Ambientes que funcionam como refúgios, por exemplo, recorrem a tons terrosos, texturas naturais, materiais táteis como madeira, pedra e tecidos rústicos. O objetivo é desacelerar, acolher e criar uma sensação de conforto emocional – um antídoto ao ritmo acelerado da vida urbana.

Em outro extremo, cores vibrantes, superfícies irisadas, contrastes inesperados e texturas exageradas apontam para um desejo crescente de liberdade estética e estímulo sensorial. A ideia é criar ambientes que surpreendem, divertem e despertam os sentidos.

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Ambiente do Studio Casa Design para a Viver Ambientes, na Casa Dexco, que induz à vivência do  presente

Também ganha força a busca por elementos que evocam memória e ancestralidade. Estampas tradicionais, técnicas artesanais, formas orgânicas e o resgate de materiais com valor histórico se unem a uma paleta de cores profundas e narrativas. Esses espaços não apenas decoram – eles contam histórias e criam conexões afetivas com o passado.

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Ambiente assinado por Jefferson Branco para a mostra Viver Ambientes, na Casa Dexco, com cores que revigoram

Por fim, há uma clara valorização de ambientes que refletem a coletividade e a pluralidade. Misturas de estilos, expressões artesanais, materiais de origem local e elementos que representam a diversidade cultural são usados para criar espaços mais inclusivos e emocionalmente generosos. Aqui, a cor aparece como meio de representar identidades e promover o pertencimento. “A cor é uma linguagem sensível e estratégica. Ela nos ajuda a criar experiências que vão além da forma: espaços que contam histórias, despertam sentidos e conectam as pessoas ao que realmente importa”, completa Marcele Brunel.