Empreendimentos, como o da chef Dayse Paparoto, uma das vencedoras do Masterchef, exploram iluminação e cores para criar ambientes ambientes aconchegantes

“A primeira impressão é a que fica”. Esse conhecido jargão representa muito bem a relação dos restaurantes com o público, visto que não só um bom atendimento pode fidelizar clientes, como também a arquitetura aplicada à fachada e outros ambientes do negócio. A contratação de um profissional e a escolha de projetos demandam certos cuidados, pois os clientes não desejam apenas consumir, mas viver experiências. “Diversos fatores precisam ser levados em consideração, como as cores, luzes, presença da natureza e iluminação. E, neste sentido, a experiência do arquiteto faz a diferença”, explica Nathalia Hartung, head do Archathon, plataforma de contratação de arquitetos via concorrências digitais de projetos de arquitetura e design de interiores.
Segundo a arquiteta e urbanista Natália Ferian, fundadora da NeoGourmet Arquitetura, alguns critérios seguem um padrão para qualquer estabelecimento, como a distribuição do espaço — normalmente dedicando um terço do local à área da cozinha — e a acústica, que é idealizada para que sons e ruídos não incomodem casas e espaços vizinhos.
Ela ressalta, entretanto, que outros aspectos de um projeto devem considerar, além da proposta culinária, a maneira como os clientes vão interagir com os elementos que compõem o local, especialmente quando relacionados a uma cultura específica. “Quem vai a um bistrô francês, por exemplo, já espera um ambiente mais tranquilo, com luz baixa. Por outro lado, a cantina italiana tradicional deve apresentar um determinado tipo de enxoval e decorações que remetam às origens desta culinária, enquanto um restaurante italiano que se propõe a ser mais moderno, pode explorar outros elementos que fogem do tradicional, mesmo que o cardápio seja parecido”, ilustra Natália.
Com tantas variáveis a serem consideradas, é comum que empreendedores do setor de food service recorram às inovações tecnológicas voltadas à arquitetura para que nenhum detalhe fique de fora dos projetos. No final de 2022, a chef de cozinha Dayse Paparoto, vencedora da primeira edição profissional do reality show MasterChef, da TV Bandeirantes, inaugurou o “Paparoto Cucina”. Localizado na cidade de São Paulo e especializado em culinária italiana, o local foi projetado, construído e decorado com referências à província de Treviso, nordeste da Itália. A chef recorreu à plataforma Archathon, que otimiza a contratação de arquitetos e designers de interiores por meio de concursos e ferramentas de gestão.
Neuroarquiteura
Dentro da arquitetura, a aplicação da neurociência para criar cenários capazes de intensificar emoções nas pessoas é bastante explorada e chama-se Neuroarquitetura. Ela defende que, por meio de pressupostos científicos, aplique-se ferramentas,como plantas em locais internos, para diminuir ruídos externos no ambiente e a utilização da psicologia das cores.
De acordo com Natália Ferian, é comum o uso desse conceito para estimular sensações como relaxamento, conforto e calma em espaços tanto residenciais quanto comerciais. Mas no caso dos restaurantes, até mesmo o apetite do cliente pode ser instigado. “Algumas cores como vermelho e amarelo são conhecidas por promover a sensação de fome, por se tratarem de cores mais quentes e gerarem um desejo por urgência, abrindo o apetite. Entretanto, essa aplicação também varia de acordo com cada projeto e sua definição de identidade visual”, explica a arquiteta.











