
Alcheme é a sexta coleção desenvolvida por Patricia Anastassiadis em seus seis anos de atuação como diretora criativa da Artefacto. Período este em que o mercado nacional viu nascer uma inédita família de produtos, dotada de forte rigor conceitual e excelência construtiva, da qual os novos móveis são legítimos descendentes. “Procuro imprimir um sentido de continuidade ao meu trabalho à frente da marca. Uma coleção jamais se sobrepõe à outra. É o contrário. Ela amplia a nossa gama de possibilidades”, explica Patricia.
Mais afeita a um ideal de evolução do que de ruptura, não surpreende, portanto, que a arquiteta e designer tenha ido buscar na Alquimia – a mítica ciência medieval que tinha como objetivo a transmutação de um elemento em outro -, a inspiração primordial para compor sua nova linha de mobiliário, que tem na pesquisa de novos materiais um de seus pontos cardeais. “Penso que vivemos um momento de transformação. De observar com cuidado para converter até o que aparentemente não tem valor em algo precioso”, afirma ela.
O ideal alquímico da transmutação se manifesta na coleção por meio de móveis essenciais, mas não menos elaborados. Uma coleção na qual o ineditismo formal cede espaço ao surpreendente: para estofados nos quais o prazer do toque é ressaltado. Para tampos que subitamente migram de um material a outro. Ou ainda para superfícies que parecem estar em estado de fusão. Em busca do elixir que daria a imortalidade a quem o bebesse – ou traduzido para o contexto do design, vida longa aos móveis e objetos -, Patricia acaba por compor uma coleção transversal, ágil e flexível. Capaz de atender a múltiplas funções e ainda em condições de navegar com desenvoltura pelos mais variados espaços domésticos, corporativos ou mistos. “Pensar em longevidade, em móveis que passam de geração a geração, para mim, é pensar também em sustentabilidade”, pontua.
Um sofá modular de dimensões “à la carte”. Uma poltrona, com pufe. Uma estante sem configuração definida. Um armário de uso múltiplo, uma cadeira sem vocação definida, e, ainda, um conjunto de mesas com tampos articulados. Ao todo, oito móveis “transmutáveis”, por assim dizer, mas indissociáveis da excelência do fatto a mano, e do padrão de sofisticação inerentes à Artefacto, em seu quase meio século de vida. “Eis aí o meu desafio alquímico: transformar, a cada coleção, o que, solidamente, já existe”, sintetiza Patricia.












