Propriedade, um laboratório de experimentações botânicas e paisagísticas que sintetiza a obra do paisagista é o 23º bem brasileiro a integrar a privilegiada lista

O legado do paisagista brasileiro que criou o conceito de jardim tropical moderno, o Sítio Roberto Burle Marx (SRBM), foi reconhecido por unanimidade no final de julho como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), durante uma reunião transmitida via internet para todo o mundo realizada em Fuzhou, na China.
Com a nova chancela, o Brasil passa a ter 23 bens inscritos na privilegiada lista, que reúne bens considerados como portadores de valor universal excepcional para a cultura da humanidade. O sítio foi reconhecido na categoria de Paisagem Cultural, na qual se enquadram bens que referenciam a interação entre o ambiente natural e as atividades humanas, resultando em uma paisagem natural modificada.
A propriedade fica na Barra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ),tem 405 mil metros quadrados de área e abriga uma coleção botânica com mais de 3,5 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais, cultivada em viveiros e jardins.
As fotos seguintes são de: Oscar Liberal / Iphan
O sítio é uma unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Jardins, viveiros de plantas, sete edificações e seis lagos integram o espaço singular. O imóvel também guarda um acervo museológico de mais de três mil itens, que inclui um grande repertório da produção artística de Burle Marx, suas coleções de arte moderna, cuzquenha, pré-colombiana, sacra e popular brasileira, de cristais e de conchas, além do mobiliário e dos objetos de uso cotidiano da casa.
O sítio recebe cerca de 30 mil visitantes por ano. Conhecido internacionalmente como um dos mais relevantes paisagistas do século XX, Roberto adquiriu o Sítio em 1949 e ali viveu entre 1973 e 1994. Ao longo de 45 anos, reuniu na propriedade plantas de diversas partes do mundo e dos diversos biomas brasileiros, algumas atualmente em risco de extinção.

Burle Marx foi pioneiro na luta pela conservação da natureza e ferrenho defensor do ambiente. Compreendendo desde cedo o potencial estético e a importância científica da flora tropical, introduziu o uso de espécies nativas em seus projetos paisagísticos, criando o conceito de jardim tropical moderno, alinhado ao movimento moderno na arquitetura e nas artes, que produziu grande impacto no campo mundial do paisagismo.

A história do Sítio
Em 1949, Roberto Burle Marx e seu irmão Guilherme Siegfried compraram o imóvel com a finalidade de abrigar coleção botânica, testar novas associações de plantas e cultivar mudas. A partir de então, a casa foi sucessivamente reformada e ampliada; foram construídos a Loggia, o Salão de Festas (conhecido como Cozinha de Pedra), a Casa de Pedra, o Prédio da Administração e o Ateliê; a Capela de Santo Antônio da Bica, do século XVII, foi restaurada e mantida em uso pela comunidade.
No ano de 1985, Burle Marx doou o Sítio ao governo federal a fim de assegurar sua preservação, a continuidade das pesquisas, a disseminação do conhecimento adquirido e o compartilhamento daquele espaço único com a sociedade. Após a morte do artista em 1994, o sítio passou a ser gerido pelo Iphan e se tornou um centro cultural.
O legado de Burle Marx

Nascido em 1909, em São Paulo, Burle Marx foi criado no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1994. Com milhares de projetos espalhados pelo mundo, concebeu paisagens de grande destaque no país, como os jardins do Complexo da Pampulha, em 1942; o jardim do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954; o paisagismo do Aterro do Flamengo, em 1961; os jardins da sede da Unesco, em Paris, e o famoso traçado do “calçadão” de Copacabana, em 1970.
Além de paisagista, Burle Marx foi também artista plástico, pintor, escultor, designer de joias, figurinista, cenógrafo, ceramista e tapeceiro. Todas as facetas da sua obra podem ser apreciadas no SRBM, um grande laboratório de experimentações botânicas e artísticas.
Na propriedade também se encontram exemplares das 34 espécies que possuem relação direta com Burle Marx: duas delas descritas diretamente pelo paisagista, 16 nomeadas em homenagem a ele e outras 16 cujas descrições utilizaram materiais coletados nas expedições promovidas por Roberto.
SÍTIO ROBERTO BURLE MARX:
Estrada Roberto Burle Marx, No. 2019 – Barra de Guaratiba CEP: 23020-255 – Rio de Janeiro/RJ Tel.: (21) 2410.1412
Agendamento de visitas por e-mail: visitas.srbm@iphan.gov.br
Devido à pandemia, as visitas estão acontecendo em pequenos grupos, de 3ª feira a sábado, às 13h, 13h30 e 14h.
São obrigatórios o uso de máscaras, higienização das mãos, álcool em gel e distanciamento.











