No ambiente Amado Hotel, assinado pelo escritório Frezza & Figueiredo, os profissionais enfatizaram como essa inspiração valoriza e traz vida aos projetos

Na visão do arquiteto Gabriel Figueiredo e do designer de interiores Fabrício Frezza, responsáveis pelo escritório Frezza & Figueiredo Arquitetura e Interiores, o tempo é a matéria-prima nos projetos de interiores. Cada obra de arte, móvel ou objeto decorativo antigo carrega histórias, memórias e afetos que ajudam a construir um presente mais significativo — e um futuro mais acolhedor.
Na estreia que realizaram na CASACOR São Paulo deste ano, o ambiente Amado Hotel apresentou um lobby de hotel-boutique intimista, cuja essência salienta a relevância do passado como norte fundamental para a vivência de um futuro mais afetivo e humano.
Para os profissionais, com escritório em Ribeirão Preto (SP), decorar um espaço é também revisitar experiências, sentimentos e referências que nos constituem.

No Amado Hotel, o passado aparece de forma natural e integrada. O sofá original dos anos 1940, a cômoda de madeira com função de bar de autosserviço, as obras herdadas de família — como o retrato “O Menino Chamado Amado” —, que compõem o acervo pessoal dos profissionais ou as garimpadas: nada está ali por acaso. Cada peça ajuda a contar uma narrativa, a criar conexões e despertar lembranças que podem ser universais, mesmo partindo de vivências íntimas.
Como usar referências do passado sem deixar o ambiente datado?
De acordo com a dupla, a resposta está na ponderação entre equilíbrio e na intencionalidade. “Uma boa seleção daquilo que será usado é essencial e esse processo começa com o próprio cliente, norteando o trabalho do profissional. O que não traz boas lembranças, o aconchego emocional, não deve ficar. O contrário, sim”, sugere.
Ainda na perspectiva dos profissionais, essa leitura dentro da arquitetura de interiores se revela especialmente atual em tempos marcados pelo excesso de descartabilidade (seja de objetos, histórias ou relações).
Ao propor um olhar mais sensível e humano, o ambiente assinado por eles convida à reflexão sobre o que escolhemos guardar e exibir. “Acreditamos que essa conduta diz muito sobre quem somos e como queremos viver”, argumentam.

O clássico é mesmo antigo?
Gabriel e Fabrício afirmam que não compartilham uma outra interpretação sobre esse o clássico. “Chamamos de ‘classudo’, na verdade. Ambientes que contam trajetórias são chiques, elegantes e emocionam”, retratam.
Tecnologia e memória de mãos dadas
Apesar do ar nostálgico, o Amado Hotel está longe de ser um espaço preso a um tempo pregresso. Nele, a tecnologia aparece como aliada silenciosa. Da automação às soluções de aromatização e iluminação cênica, tudo foi pensado para valorizar os elementos do ambiente, criando um roteiro sensorial e emocional. “É como uma peça de teatro. A luz, o som, o aroma, o cenário… tudo dialoga para contar esse enredo da melhor forma possível”, conta a dupla.
Para os profissionais, esse diálogo entre passado e presente e o uso afetuoso do que é herdado também representa um caminho possível para a nova geração. “O jovem de hoje tem muita sede do “novo”, mas precisamos experimentar mais para criarmos lembranças e memórias afetivas. Só assim o repertório se forma, mas é preciso amadurecimento para alcançarmos essa conclusão”, analisam. Em suas análises, o herdado não diz respeito apenas a uma peça propriamente dita, mas também vem daquilo que aprendemos: o respeito, os valores e o entendimento. “Isso completa o décor”, verbalizam.











