ETEL expande fronteiras globais e leva o design modernista brasileiro à China 

17

Marca passa a ter uma revenda oficial em solo chinês com peças que podem ser visitadas ao vivo pelo público

 ETEL expande fronteiras globais e leva o design modernista brasileiro à China  - BARDI
Créditos: Ruy Teixeira.

A ETEL, reconhecida como embaixadora do design brasileiro e uma agente cultural dedicada ao resgate histórico de peças de design, dá um passo histórico em sua internacionalização ao estrear em solo Chinês. A expansão acontece por meio de uma parceria exclusiva com a GALLERY101, em Xangai, que busca criar uma relação mais sólida e próxima com a China. A marca passa a ocupar um endereço repleto de história: um edifício dos anos 1930, conhecido originalmente como o “Primeiro Apartamento do Extremo Oriente”. Sob a curadoria do Grupo 101+ desde 2023, o espaço conta com 400 m² distribuídos entre salão principal de exposições, mostras temporárias e escritórios.

O ponto alto dessa jornada cultural é a introdução das peças reeditadas de Lina Bo Bardi e de outros expoentes do modernismo brasileiro, como Percival Lafer, Oscar Niemeyer, Jorge Zalszupin e Joaquim Tenório no país, que passam a integrar o acervo fixo da galeria. Esta é a primeira vez que essas obras históricas, meticulosamente resgatadas pela ETEL sob rigorosos critérios museológicos, estarão disponíveis para comercialização na região, inaugurando um novo capítulo para o colecionismo e o mercado de alto padrão local.

A chegada da marca ao território chinês atende a uma crescente demanda por autenticidade e alta manufatura. Cada móvel comercializado carrega um selo numerado e a chancela oficial das fundações e institutos detentores dos direitos autorais — como o Instituto Bardi, no caso de Lina. Assim, o mobiliário modernista brasileiro, célebre pelo calor de suas matérias-primas e pela sofisticação de seus encaixes, passa a figurar de forma permanente no radar dos principais projetos residenciais e corporativos do Oriente.

A obra de Bo Bardi também estará disponível ao público Chinês na exposição “A Poética da Sobrevivência”. A mostra homenageia a trajetória da arquiteta ítalo-brasileira, cuja obra transcende as estruturas e reverbera de forma profunda no desenho de mobiliário. Esta é a primeira exposição individual da PSA (Power Station of Art) dedicada a uma arquiteta. A mostra tem curadoria do historiador de arquitetura Renato Anneli, e integra oficialmente o Ano Cultural Brasil-China 2026, programação coordenada pelo Ministério da Cultura, o Itamaraty e o Ministério do Turismo, que marca os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Conhecida por sua abordagem humanista, que unia o rigor técnico à espontaneidade da cultura popular brasileira, Lina deixou desenhos e protótipos que capturam a essência da nossa identidade nacional. Integram a exposição três peças icônicas desenhadas por ela e reeditadas pela ETEL em 2015, sob a chancela do Instituto Bardi: a Poltrona Bola de Latão, nunca produzida comercialmente em vida por Lina, com apenas seis exemplares originais na Casa de Vidro; a Cadeira Auditório MASP, desenhada para a sede original do museu, na Rua Sete de Setembro; e a Poltrona Três Pés.

Para marcar a inauguração da exposição, Lissa conduzirá um talk exclusivo voltado a arquitetos, colecionadores e jornalistas locais. A apresentação abordará o impacto global de Lina, o minucioso processo de preservação de suas peças e a relevância de se manter vivo o patrimônio histórico do design.