Forest Gens revela as marcas invisíveis da ação humana na floresta amazônica

A 19ª Exposição Internacional de Arquitetura de Veneza, que abriu ao público no início de maio de 2025, com a curadoria de Carlo Ratti, segue até o dia 28 de setembro. Com o tema Intelli gens | Natural. Artificial. Collective., a mostra propõe uma escuta ativa entre diferentes formas de inteligência — humanas e não-humanas, digitais e ancestrais — para repensar o ambiente construído num momento em que a arquitetura é chamada a atuar como um sistema adaptativo.
Convidado por Ratti para integrar o núcleo do Arsenale, o escritório franco-brasileiro ARCHITECTS OFFICE (AO) apresenta o projeto Forest Gens, Forest Gens, desenvolvido em colaboração com o grupo de pesquisa POLES | Political Ecology of Space. Trata-se de uma cartografia crítica sobre a Amazônia. Longe de reforçar o imaginário de uma floresta intocada, o trabalho desvela um território moldado pela presença humana ao longo dos séculos.
Utilizando técnicas de mapeamento avançadas aplicadas a dados recentes de sensoriamento remoto, o projeto investiga duas regiões-chave: o estado do Acre (Brasil) e os Llanos de Mojos (Bolívia). Os registros revelam traços de urbanismos tropicais de baixa densidade e vestígios de terras pretas arqueológicas (TPA) — solos antropogênicos cuja distribuição evidencia sistemas complexos de ocupação e manejo ambiental.
Forest Gens propõe um deslocamento de perspectiva: pensar a floresta não apenas como ecossistema, mas como paisagem cultural, continuamente reconfigurada pela ação de múltiplas inteligências. Trata-se, aqui, de tensionar os limites entre natureza e sociedade e reimaginar futuros amazônicos não pautados por lógicas extrativistas, mas por práticas de coexistência e reparação.
O projeto, da AO, dialoga, ainda, com a proposta do Pavilhão Brasileiro no Giardini, Re(Invenção) — curada por Luciana Saboia, Matheus Seco e Eder Alencar — que investiga as infraestruturas ancestrais da Amazônia e suas ressonâncias nas cidades contemporâneas.











