Nova Iorque por Emil Sinclair e Yara Farias

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Cada um viaja por um motivo: compras, lazer, curiosidade e até mesmo a trabalho. Por isso, quando nos preparamos pra partir, buscamos os locais que mais nos agradem, que tenham a ver com a nossa personalidade e também, porque não, com nossas necessidades.

Atualmente viajar ficou muito mais fácil. Com todas as ferramentas e meios de comunicação disponíveis, não é mais necessário “torcer” para a sua excursão ser agradável: basta programar a própria viagem.  Hoje nós podemos escolher o nosso destino, seja ele qual for, e destrinchá-lo de acordo com nossos desejos.

Para arquitetos, decoradores, engenheiros e designers essa possibilidade é ainda mais interessante, pois, diferentemente do público convencional a intervenção representa muito mais do que a paisagem em si. Logo, o modo de “encarar” o passeio é diferente. Uma loja não é apenas um local bacana pra fazer compras, é também uma experiência sensorial onde são observados diversos detalhes além do produto ali exposto. O mesmo ocorre com restaurantes, prédios, museus… Quantas vezes a expectativa de conhecimento da construção superou o encantamento com as obras ali expostas?

Pessoas assim, realmente não apreciam a idéia de entrar num ônibus e seguir com o grupo tirando fotos o dia inteiro. Há muito mais para se ver, ouvir e sentir no mundo do arquiteturismo.

Pensando nisso esse primeiro post tenta mostrar alguns pontos bem bacanas que podem ser observados em uma cidade que apresenta várias facetas: New York.

A Big Apple pode ser apreciada de vários ângulos e pretendemos aqui mostrar alguns que talvez chamem a sua atenção, por não constarem dos roteiros comuns à cidade. Let´s go!

Em Manhattan, na junção do Lower East Side e East Village existe um ponto muito interessante que vale a visita, chama-se a Cooper Square.

Foto: Google Images

Além de ser um passeio agradável por downtown, podemos ver algumas obras muito interessantes de arquitetura.

Lá nós encontramos a Cooper Union for the Advancement of Science and Art, cuja sede foi projetada por  Thom Mayneda Morphosis de Los Angeles,  fica no East Village, mais exatamente, na 3a. Avenida entre as ruas 6 e 7.


Foto: Google Images

Apesar de fazer parte de uma entidade privada, o Cooper Union College, o prédio é recheado em espaços públicos – uma tendência cada vez mais acentuada na cidade.

Um pouco mais abaixo, no n° 25 da Cooper Square encontramos o Cooper Square Hotel, projetado por Carlos Zapata Studio. Trata-se de uma obra que se destaca na paisagem da cidade, mas que reflete exatamente o espírito desta região.

Foto: Google Images

O Lobby e o bar logo na entrada valem a visita e uma parada para o café, pois as soluções e os materiais utilizados são incríveis.

Foto: Google Images

O Hotel fica perto da Região da Rua Bowery, atualmente famosa pela profusão de galerias de artes, restaurantes e lojas, todos fora do circuito turístico, como o New Museum abaixo, projetado pelos arquitetos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.

Foto: Dean Kaufman

Não se assuste com os muros pichados, calçada irregular e o aspecto dark desta rua, pois todas essas características só contribuem para o seu charme, escondido atrás de várias portas. Lehman Maupin e Salon 94, duas galerias de arte conceituadas abriram suas filias nesta rua, perto do New Museum.

Foto: Salon 94

É uma delícia caminhar por esta rua e descobrir os cantos conhecidos apenas pelos descolados moradores da cidade. Muitos desses locais proibem fotografias de seus espaços, pois querem continuar desconhecidos do público em geral, mantendo sua aura de exclusividade. Garanto a vocês que perto do n° 300 existe uma loja maravilhosa com artigos pra músicos e roqueiros, com fotos de Jimmy Page, Ozzy e Mick Jagger espalhadas. Lógico que não conseguimos a foto, não há nome, nem número, apenas a entrada que parece de um depósito abandonado. As roupas vendidas são caríssimas, há livros de arte punk, discos de Vinil e muita coisa bacana pra descobrir.

A prova de que o local é mesmo descolado, está no n° 299. Ali se encontra o DBGB a nova brasserie do estrelado chefe Daniel Bouloud.  Daniel é conhecido no Upper East Side e seu restaurante lá é recheado de boas receitas e famosos. Nós, meros mortais, precisaríamos reservar com muita antecedência a mesa e o bolso pra conhecê-lo. Agora, porém, o passeio ficou mais acessível e agradável.

Foto: Alexandra Forbes

Não esqueça de fazer a reserva, afinal, continuamos estrangeiros nesta terra, mas não precisa ser com tanta antecedência. A entrada é uma porta de vidro, toda adesivada, não se impressione achando qeu errou o lugar. É lá mesmo!

Os lanches, batatas, ovos, croques moussiers e madames são maravilhosos. O Dog então: maravilhoso!

O espaço é bastante amplo e agradável, com mobiliário escuro e prateleiras em todas as voltas que nos deixam entrever o movimento na cozinha, toda de inox. Lógico, não deixe de ir ao banheiro e repare nas várias receitas adesivadas na parede.

Foto: Alexandra Forbes

Certamente você terá um dia agradável passeando por downtown conhecendo ambientes muito bonitos e, é claro, terminando o dia com uma comida de primeira.

Se você gostou dessa dose inicial, traremos mais um cantinho incrivelmente bacana pra você “morder na big apple” 😉