Arquitetura e IA: uma parceria de aperfeiçoamento e não de substituição

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Arquitetura e IA: uma parceria de aperfeiçoamento e não de substituição - pexels tara winstead 8386365Por Alexandre Kuhn, arquiteto, CEO e cofundador da Redraw

Com a chegada de 2024, o que já conhecíamos de inteligência artificial (IA) se prepara para uma nova era de inovação e dinamismo na indústria. No contexto da arquitetura, enquanto muito se fala sobre as revolucionárias tecnologias para ambientes, como os controles inteligentes que abrem portas, fecham cortinas e mudam da temperatura à iluminação, precisamos destacar, agora, o outro poder da automação no setor: aquele que potencializa a criatividade humana e os processos de design.

Nos Estados Unidos, já é possível ouvir a respeito de sistemas que aproveitam o machine learning da inteligência artificial para adaptar projetos com o processamento de imagem. Não é por acaso que o relatório “IDC Worldwide Artificial Intelligence Spending Guide”, publicado em 2022, coloca o país responsável por mais de 50% em todos os gastos com IA em todo o mundo, nos próximos anos.

Entretanto, assim como no Brasil, a invenção de processos que agilizam o setor de arquitetura e construção ainda é inédita. Embora existam vários softwares disponíveis para os profissionais, nem todos eles são capazes de automatizar operações tão bem quanto os robôs das casas inteligentes.

Ainda são pouco exploradas pela tecnologia, por exemplo, opções eficientes para a renderização de ambientes, técnica que permite criar imagens realistas do projeto final, com texturas, iluminação e detalhes precisos. Aliada à IA, a renderização pode utilizar seus algoritmos para gerar diferentes estilos e materiais de forma automática, reduzindo o serviço de um profissional de dias a segundos.

E, agora, você deve se perguntar: o termo “reduzir” já não é um indício de substituição?
A resposta é: não.

A automação surge para facilitar a tomada de decisão, estimulando a criatividade dos profissionais, permitindo que eles explorem e selecionem uma série de soluções estéticas para cada projeto.

Com o passar dos anos, muitas profissões ficaram obsoletas pelo crescimento exponencial da tecnologia, o que sempre será inevitável. No entanto, a inteligência artificial, como presenciamos atualmente, nunca teve a intenção de substituir o trabalho criativo e a expertise dos profissionais. No começo, foi estranho perceber uma página da internet salvando todos os seus dados para o próximo login. Nos acostumamos. Também foi extraordinário, no início, uma assistente virtual que entende as suas perguntas e gera resultados de pesquisa. Nos acostumamos.

No mercado de trabalho, nunca mais deixaremos de ver os setores consumindo softwares inteligentes, chatbots de atendimento e contabilizadores automáticos. Falando assim, até o ChatGPT já parece pequeno demais para esse mundo.

As indústrias já dependem tanto da tecnologia que, segundo o mesmo levantamento feito pela IDC, os gastos globais em IA, incluindo software e hardware, podem até ultrapassar R$ 300 bilhões em 2026, impulsionando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 26,5% entre 2022 e 2026.

Portanto, se tantas profissões já usam e abusam da inteligência artificial em seu cotidiano, por que não trazer essa realidade com mais força para o campo da arquitetura? A IA não é uma ameaça. Ela é amiga do freelancer, que pode obter mais lucro e clientes sem se sobrecarregar, uma parceira dos pequenos escritórios, que podem competir em igualdade com grandes empresas, e a principal aliada da arquitetura, permitindo que os arquitetos, com sua expertise de mercado, aproveitem o melhor da automação para oferecer projetos personalizados para cada cliente.